Hemimelia Tibial (Deficiência Tibial)

A hemimelia tibial é uma doença rara que afeta recém nascidos, é caracterizada pela alteração no comprimento da tíbia (canela), ou uma ausência desse osso, causando uma diferença no comprimento das pernas da criança.

Na maioria dos casos essa doença não possui uma causa exata identificada, podendo se desenvolver de forma hereditária.

Praticamente todas as crianças que sofrem com o encurtamento ou ausência da tíbia, necessitarão de cirurgia para correção do problema, facilitando o desenvolvimento do paciente e ajudando-o a ficar de pé, brincar e caminhar melhor.

Quanto ao tipo do procedimento cirúrgico para o tratamento, será recomendado conforme as condições da hemimelia tibial, das articulações do joelho e tornozelo.

Causas da Hemimelia Tibial

A parte inferior da perna é composta pela fíbula e tíbia, responsável por suportar a maior parte do peso do corpo. É também uma das partes fundamentais das articulações do joelho e tornozelo.

Esta doença é congênita, ou seja, formada antes do nascimento da criança, no período intrauterino.

Em casos mais leves ocorre uma pequena diferença no tamanho da tíbia, já em pacientes com a hemimelia tibial mais grave, pode haver a ausência total do osso.

Na maioria dos casos essa doença afeta somente uma perna, mas um número menor de pacientes são afetados em ambas as pernas. Análises mostram que quando a criança tem apenas uma tíbia afetada, geralmente é a perna direita, as causas para este acontecimento são desconhecidas.

Em alguns pacientes a doença pode estar associada a algumas síndromes, como:

  • Síndrome de Werner;
  • Síndrome de Langer-Giedion;
  • Síndrome de CHARGE.

Tipos de Hemimelia Tibial

Esta condição pode ser dividida em quatro tipos diferentes, que são relacionados com o comprimento da tíbia do paciente. Conheça essa divisão:

  • Tipo I: a tíbia está completamente ausente, por este motivo as articulações do joelho e tornozelo podem estar sem funcionalidade; 
  • Tipo II: metade inferior da tíbia está ausente. A articulação do joelho geralmente funciona, mas a do tornozelo perde a funcionalidade;
  • Tipo III:  a parte superior da tíbia está ausente. Causa uma perda na funcionalidade da articulação do joelho, este caso é extremamente raro;
  • Tipo IV: a tíbia é encurtada e na parte inferior, o osso da tíbia e  fíbula são separados, deixando a articulação do tornozelo anormal.

Outros problemas que envolvem a Hemimelia Tibial

Crianças com hemimelia tibial também podem nascer com outros problemas, como:

  • Fêmur (osso da coxa) encurtado;
  • Fêmur bífido (extremidade inferior do fêmur é dividido em duas);
  • Músculos, ligamentos e outras estruturas que são responsáveis pelo endireitamento do joelho, ausentes;
  • Pé torto;
  • Dedos ausentes ou presença de mais dedos.

Diagnóstico da Hemimelia Tibial

A doença pode ser diagnosticada, em casos mais graves, no exame de ultrassom pré-natal. Em graus mais leves torna-se mais difícil a detecção do problema, sendo percebido pelos pais na medida que a criança cresce.

O ortopedista infantil vai investigar a presença de alguma síndrome ou encurtamento da tíbia nos familiares da criança. Após, fará um exame físico para medir o tamanho das pernas e braços do paciente e movimentar as articulações do joelho e tornozelo, para verificar a funcionalidade das articulações.

Para confirmar o diagnóstico do ortopedista pode ser solicitado um exame de raio-X, que auxilia na visualização dos ossos das pernas, verificando se há algum osso faltando, as imagens também ajudam a avaliar a diferença no comprimento entre as pernas.

A ressonância magnética pode ser útil para o diagnóstico das articulações do joelho e tornozelo, que são importantes para a definição do melhor tratamento para a criança.

Tratamento

Os objetivos com o tratamento da hemimelia tibial é devolver o máximo de função à perna acometida, minimizando a dor e proporcionando uma melhor igualdade no comprimento entre as pernas.

O tratamento para cada paciente vai depender de uma série de fatores que serão avaliados pelo ortopedista infantil, incluindo:

  • Quanto da tíbia está faltando;
  • Funcionamento das articulações do joelho e tornozelo;
  • Diferença do comprimento entre as pernas;
  • Saúde geral da criança.

Tratamento não cirúrgico

Os tratamentos convencionais podem ser uma alternativa para as crianças com casos de hemimelia tibial mais leves, para auxiliar até que a cirurgia seja necessária, já que em grande parte dos casos o paciente terá que passar por procedimento cirúrgico para ter a funcionalidade da perna restabelecida.

Os tratamentos não cirúrgicos podem incluir:

  • Uso de calço nos calçados: em casos que o uso do calçado é possível, o calço maior pode ajudar a compensar diferenças menores no comprimento das pernas;
  • Prótese: dispositivos utilizados em casos com diferença de comprimento entre as pernas maiores, é colocado no pé da perna mais curta, auxiliando a criança a acomodar o pé no chão.

Tratamento Cirúrgico

Entre os tratamentos cirúrgicos mais utilizados podemos destacar:

  • Reconstrução e alongamento de membros: esse procedimento é recomendado em casos mais leves da hemimelia tibial. Geralmente envolve uma ou mais cirurgias para reconstrução e alongamento do membro, sendo necessário o uso de um fixador externo para corrigir o comprimento da tíbia.
  • Amputação de membro: é recomendado em casos que a criança com hemimelia tibial, tenha as articulações do joelho ou tornozelo disfuncionais, até mesmo a falta destas estruturas, dificultando uma reconstrução do membro.

Nesses casos a amputação pode ser uma alternativa para a criança ter uma vida mais ativa. Após a amputação, é desenvolvida uma prótese para substituir o membro e possibilitar mais mobilidade à criança. A prótese deve ser ajustada conforme o crescimento da criança.

A opção por este método de tratamento cirúrgico pode ser uma decisão difícil para os pais da criança, o ortopedista fornecerá todo o apoio e informação necessárias do melhor tratamento para a criança.

Você ficou com alguma dúvida sobre a hemimelia tibial? Marque uma consulta para obter um diagnóstico e tratamentos adequados para o seu filho.

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