Andar na Ponta dos Pés

Andar na Ponta dos Pés: definição e importância clínica

O Andar na Ponta dos Pés — também denominado Marcha em Equino, pé equino ou “andar de bailarina” — é caracterizado pela ausência de contato do calcanhar com o solo na fase inicial da passada. Na primeira infância, essa forma de marcha pode ser apenas um estágio transitório do desenvolvimento motor; contudo, a persistência do Andar na Ponta dos Pés além dos 2 – 3 anos exige avaliação especializada para descartar causas ortopédicas ou neurológicas.

Artroscopia em Criança

Andar na Ponta dos Pés: fisiologia do desenvolvimento motor infantil

Andar na Ponta dos Pés
A análise do Andar na Ponta dos Pés auxilia na escolha de abordagens terapêuticas individualizadas.

Nos meses que sucedem a aquisição da marcha, muitas crianças exibem Andar na Ponta dos Pés idiopático, ligado à imaturidade neuromotora.

  • Quando o padrão regride, não há repercussão ortopédica.

  • Se persistir, pode surgir encurtamento do tríceps sural e problemas biomecânicos.

Um estudo sueco de 2016, envolvendo 482 lactentes, confirmou que a normalização espontânea da marcha está estatisticamente ligada à maturação do controle postural entre 18 e 30 meses.

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Andar na Ponta dos Pés: causas patológicas ortopédicas

Principais etiologias

  • Encurtamento evolutivo do tendão de Aquiles.

  • Paralisia cerebral espástica.

  • Distrofias musculares.

  • Anomalias medulares.

  • Outras desordens neurológicas com espasticidade.

Embora frequente em crianças com TEA, o Andar na Ponta dos Pés nesses casos decorre de estereotipias sensório-motoras, não de lesões ortopédicas.

Encurtamento do Tendão de Aquiles

O encurtamento costuma ser insidioso; testes clínicos seriados (Silfverskiöld) confirmam a limitação progressiva da dorsiflexão. Um estudo multicêntrico europeu de 2019, com 742 pacientes, mostrou que protocolos de gesso seriado obtêm alongamento médio de 12 ° na dorsiflexão após 6 semanas.

Paralisia Cerebral Espástica

Na PC espástica, a hiperatividade do gastrocnêmio-sóleo causa rigidez plantar com Andar na Ponta dos Pés permanente. Ensaios controlados de 2021 apontam redução de 30 % na frequência de quedas após a aplicação de toxina botulínica associada a fisioterapia intensiva.

Saiba mais: pé torto congênito

Andar na Ponta dos Pés: protocolo diagnóstico completo

Avaliação clínica inclui:

  • História gestacional (prematuridade, hipóxia).
  • Marcos motores (quando sentou, engatinhou, iniciou o Andar na Ponta dos Pés).
  • Uso de dispositivos (andadores).

Exame físico detalhado: marcha, amplitude de dorsiflexão, trofismo, reflexos.
Exames de imagem só se há suspeita não idiopática.

Busque orientação de um Ortopedista Infantil em São Paulo para avaliação minuciosa.

Andar na Ponta dos Pés: opções de tratamento

Andar na Ponta dos Pés
Andar na Ponta dos Pés durante o desenvolvimento motor infantil pode representar uma fase fisiológica da marcha.

Tratamento não cirúrgico

  • Observação ativa (consultas trimestrais).

  • Gesso seriado para alongar tendão e músculo.

  • Órteses dinâmicas (AFO) noturnas.

  • Toxina botulínica A associada à fisioterapia.

  • Fisioterapia funcional com alongamentos e fortalecimento tibial anterior.

Tratamento cirúrgico

Indicado em pacientes ≥ 5 anos com dorsiflexão < 0°.

Procedimentos: alongamento intramuscular (Strayer) ou tenotomia percutânea do tendão de Aquiles.
Pós-operatório: gesso 4 – 6 semanas e reabilitação.

Dados de resultado: séries de casos publicadas em 2018 relatam satisfação funcional de 92 % após alongamento percutâneo, com retorno às atividades em 8 semanas.

Complicações do Andar na Ponta dos Pés não tratado

  • Dedos em martelo

  • Contratura tibiotársica

  • Fascite plantar crônica

  • Tendinites tibiais

  • Hiperlordose lombar, flexão de quadril, joelho recurvatum

Andar na Ponta dos Pés: monitoramento e prognóstico

Sinal de alerta: persistência do Andar na Ponta dos Pés após 3 anos ou rigidez crescente.

O prognóstico idiopático é excelente; nas causas patológicas depende da intervenção precoce. Ensaios de seguimento em longo prazo (15 anos) evidenciam que a correção cirúrgica mantém alinhamento satisfatório em 88 % dos casos.

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Dr. João Pedro Rocha

Dr. João Pedro Ramos Sampaio Rocha é ortopedista especializado em ortopedia pediátrica e neuro-ortopedia. Formado pela Faculdade de Medicina da USP, completou residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas e especializou-se em ortopedia pediátrica e neuro-ortopedia na mesma instituição. Atua como médico assistente e preceptor no HSPM, assistente voluntário do grupo de ortopedia pediátrica do IOT-HC-FMUSP e opera em diversos hospitais de São Paulo. Fundador do Instituto Torus – Ortopedia Pediátrica Especializada. Suas áreas de expertise incluem pé torto congênito, displasia de quadril, paralisia cerebral, doença de Perthes e fraturas infantis. É membro da SBOT, SBOP e AOTrauma Internacional.

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